E depois daquele beijo...
No dia seguinte, à tardinha, ele
pediu a ela que o ensinasse a beijar, pois achava que até ali ainda não o
sabia. Ela ficou encantada, pois se havia uma coisa certa, era de que
beijava bem - uma das coisas que mais adorava. Beijos são o passaporte para a
felicidade na cama, disse.
Pegou a garrafa de champagne na
geladeira, abriu-a e serviu aos dois em duas taças. Deram uns golinhos, e
então sentou-se no seu colo.
Ensinou, da melhor maneira do
mundo: caprichando. Ao vivo e a cores, ela o instruía e fazia tudo o que dizia:
- Agora fique sossegado, impassível, respire
fundo. Você não pode começar a beijar uma mulher de boca aberta, com pressa,
assim de cara, como também não vai transar com sua namorada enfiando o possante assim que
tirar suas calças, não é?
E treinava-o a ser calmo: passava a mão suavemente por seu rosto, seu cabelo. Beijava-o devagarinho nos
olhos, no rosto, nas sobrancelhas, no pescoço, nas orelhas. Olhava-o olho no
olho, isso aumentava o tesão. Depois fechou os olhos e encostou sua boca na
dele, macia, entregue. Abriu a boca devagar, aos poucos, deixando a boca
relaxada, leve, abrindo a sua e encostando-a na dele, levemente; com a língua,
mordiscava de levinho o lábio inferior, isso o excitava, deixando seu corpo se
ajustar melhor ao dele; a dançar a
língua junto a dela, sem deixá-la dura. Nada de língua dura. E ela o fazia nele;
ele correspondia à altura: um aluno
aplicado. Um beijo era como uma dança sincronizada, e o modo de beijar seria
estendido à cama, onde fariam um amor delicioso. Com o tempo o beijo ficaria
mais tesudo, os corpos mais assanhados, as mãos mais presentes, como bem se lembrava da foto da Deborah Kerr e do Burt Lancaster no melhor beijo do cinema.

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